quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Borboletas azuis

                                           

No rastro...
Por mais que se diga o que se vê
é sempre festa
o nascimento de estrelas

Porque ninguém pensou
em mística ainda que houvesse 
roupa estendida no varal do orvalho 
e nas rosas empertigadas

E nos olhos verticais desabitados,
e no brilho do chão

E na imagem dos homens
olhando o ímpeto das borboletas
em cada voo lúdico
como se lhes apetecessem as nuvens

E no perfume das flores por dentro
dos meus passos etéreos

E nas feições do sol
para fabricar sonhos 
sem tropeçar na sombra das pedras. 

(José Carlos Sant Anna)

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Três canções para uma manhã chuvosa

A chuva de Osvaldo Goeldi

I

Para aquele amor
que parecia tão leve
não faltaram palavras
delicadas

Agora, 
ao abrir a caixa
do correio eletrônico,
ele vê as contas chegando
e a dor sem anestesia
que ela deixou


II

Quando você passa
ouço sobre saltos 
os seus passos
em leves 
                    sobressaltos
balançando  
os quadris 
a dizer-me: 

 sou mi nei ra,
mi nei ra, mi nei ra, mi nei ra!  

III

Inventas passos no cascalho
lavrando horas

e o pássaro
que tens na alma
deixa escapar 

o canto 
que se esvai
na delicadeza do rio

derramando o dobre 
de uma ânsia pressentida.

(José Carlos Sant Anna)