sábado, 14 de janeiro de 2017

Pétala



No fundo dos teus olhos
procuro a melodia das estrelas
abrindo a noite. Parecem sinceros,
teus olhos, um ao lado do outro,
sem saltos, conversa discreta.
Um concerto em lá menor para
flores de rendas a denunciar
os rastros de uma dama furtiva
em que ninguém repara no fruto
ou na delicadeza da viola de bolso 
do seu canto, cansada do dia a dia,
depois que uma chuva, fria, alagou
o desenho das bocas amadas
no último beijo em uníssono.

             (José Carlos Sant Anna)

9 comentários:

  1. Maravilhoso, leve e delicado este poema, José Carlos... uma autêntica pétala!...
    Um grande abraço! Bom fim de semana!
    Ana

    ResponderExcluir

  2. gostei deste poema-pétala, Caro José Carlos

    privilégio teu que uma "melodia de estrelas"
    e que te seja mavioso o canto.

    mas deixa que te diga (como se tu não soubesses!) que há desenhos imperecíveis.

    caloroso abraço






    ResponderExcluir
  3. deve ler-se na segunda linha: ... "que uma melodia de estrelas te visita".

    abraço

    ResponderExcluir
  4. Mais um belo poema teu, com o diferencial de uma narrativa
    como quase um "conto"-poema, a criatividade do poeta nos
    canais expressivos, como as palavras-pétalas pousando
    de belos significados imagéticos.
    Bom final de semana, José Carlos!
    Um beijo.

    ResponderExcluir
  5. a suavidade do poema, que transparece ternura e paixão
    e que titulo tão adequado
    gostei!
    beijinho
    :)

    ResponderExcluir
  6. Delicado. Sensível. Como se um jogo encantatório cercasse as palavras...
    Uma boa semana.
    beijos.

    ResponderExcluir
  7. Um poema encantador, querido poeta. É sempre uma delicadeza te ler.

    PS: Gratíssima pela tua carinhosa visita e respondido o teu comentário.

    Saudoso beijo!
      

    ResponderExcluir
  8. Delicadeza e sensibilidade, assim são as tuas pétalas nesse terno e suave poema, meu amigo!
    No fundo dos teus olhos
    procuro a melodia das estrelas
    abrindo a noite.


    Que lindinho...
    Beijo, meu amigo!

    ResponderExcluir
  9. Dos olhos às estrelas e das estrelas aos olhos (o amor tem o cume da reciprocidade) há um rastro de pétalas que o poeta, pacientemente ordenou em poema para não se perder até ao beijo final. Excelente.
    Abraço.

    ResponderExcluir